NOTA EM DEFESA DAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS PAULISTAS E DO DIREITO DE LUTAR

O Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil de Campinas (PCdoB Campinas) manifesta sua solidariedade e apoio às mobilizações de estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos das universidades estaduais paulistas, que enfrentam o profundo processo de desmonte da educação pública promovido pelo governo autoritário e privatista de Tarcísio de Freitas.

As mobilizações expressam reivindicações urgentes da comunidade acadêmica paulista, como a recomposição salarial, a valorização das carreiras docentes e administrativas, a melhoria das condições materiais de trabalho e a recuperação do financiamento público das universidades estaduais. Trata-se de uma situação marcada pelo aprofundamento das perdas acumuladas nos últimos anos e pelo projeto de desestruturação das universidades públicas conduzido pelo governo Tarcísio de Freitas, cuja política fiscalista e de austeridade compromete diretamente as condições de ensino, pesquisa, extensão e permanência estudantil.

O desmonte promovido pelo governador do estado, Tarcísio de Freitas, também se expressa na precarização dos serviços públicos, no avanço de modelos que sucateiam serviços, como visto com a autarquização do complexo de saúde da Unicamp, ameaçando direitos históricos da população paulista e enfraquecendo o papel estratégico do Estado na garantia de políticas públicas essenciais.

Ao longo das últimas décadas, as universidades estaduais paulistas passaram por importantes processos de democratização do acesso, incorporando cada vez mais estudantes oriundos da classe trabalhadora, das periferias, da população negra e, mais recentemente, dos povos indígenas, por meio das políticas de ações afirmativas. Defender a permanência estudantil, a moradia, os restaurantes universitários, as bolsas e as políticas de assistência significa garantir que a universidade pública continue sendo instrumento de democratização social e produção de conhecimento comprometido com os interesses do povo brasileiro.

É igualmente fundamental reconhecer que a atual mobilização reúne conjuntamente estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos em torno da defesa da autonomia universitária e das condições dignas de estudo e trabalho. A unidade construída entre as diferentes categorias demonstra a compreensão coletiva de que defender a universidade pública significa defender a ciência, a pesquisa, a inovação tecnológica e a capacidade nacional de construir uma rota de desenvolvimento soberano.

Na Unicamp, a mobilização possui profundo significado político e social. A universidade ocupa papel estratégico para Campinas, para o estado de São Paulo e para o desenvolvimento nacional. Trata-se de uma das principais instituições científicas e tecnológicas da América Latina, responsável pela formação de profissionais altamente qualificados, pela produção de pesquisas estratégicas e pelo fortalecimento da soberania científica e tecnológica do país, bem como uma referência na área da saúde pública, o que não é compatível com a proposta de autarquização do seu complexo hospitalar. O enfraquecimento da Unicamp e das universidades estaduais paulistas representa um grave ataque à capacidade nacional de produzir ciência, tecnologia e desenvolvimento.

Cabe salientar que o PCdoB Campinas também reafirma seu compromisso histórico com a luta dos estudantes, docentes e servidores das Fatecs e Etecs. Diante do sucateamento promovido pelo governo Tarcísio de Freitas no Centro Paula Souza, nossos parlamentares vêm atuando diretamente na defesa da educação tecnológica pública e da permanência estudantil. Recentemente, o deputado federal Orlando Silva e o vereador Gustavo Petta acionaram o Ministério Público para exigir o pagamento das bolsas permanência destinadas aos estudantes das Fatecs e Etecs, denunciando mais um grave ataque do governo estadual às condições de permanência da juventude trabalhadora no ensino público paulista.

As mobilizações que atravessam USP, Unesp, Unicamp, Fatecs e Etecs expressam o aprofundamento de uma crise produzida diretamente pela ausência de compromisso do governo Tarcísio de Freitas com o futuro da educação pública no estado de São Paulo. A repressão policial contra estudantes e trabalhadores, as tentativas de criminalização das manifestações e a ausência de respostas efetivas às reivindicações das categorias revelam uma orientação política marcada pelo autoritarismo, pela violência institucional e pela tentativa de sufocar a organização social e sindical.

A invasão da reitoria da USP pela polícia militar e a repressão policial aos atos no Cruesp são marcas da política repressiva do governo Tarcísio contra a universidade pública. Ao tratar a luta por moradia, alimentação e bolsas como um problema de ordem policial, o governo atenta contra a democracia e a autonomia das instituições. Exigimos o fim da criminalização daqueles que defendem a educação e o direito de organização. Estudante não é bandido; educação não se faz com repressão.

Ademais, o recente posicionamento do Cruesp, ao apresentar reajustes insuficientes frente às reivindicações das categorias e às perdas inflacionárias acumuladas, aprofunda ainda mais a insatisfação da comunidade universitária e evidencia a incapacidade do governo estadual em responder à gravidade da crise instalada nas universidades paulistas.

Portanto, o PCdoB Campinas reafirma sua defesa histórica da isonomia entre as universidades estaduais paulistas, entendendo que USP, Unesp, Unicamp, Fatecs e Etecs devem ser fortalecidas de maneira articulada, integrada e equilibrada, preservando seu caráter público, gratuito, democrático e socialmente referenciado.

Assim, reafirmamos nosso compromisso com:

  • a defesa intransigente da autonomia universitária;
  • a valorização das entidades representativas e organizações em luta;
  • a ampliação das vagas no ensino superior público;
  • o fortalecimento das políticas de permanência estudantil;
  • a consolidação das políticas de ações afirmativas;
  • a recomposição salarial e material das categorias universitárias;
  • a defesa da ciência, da pesquisa e da produção tecnológica nacional;
  • o combate à violência policial e à criminalização dos movimentos sociais;
  • a defesa dos serviços públicos contra a precarização e a privatização promovidas pelo governo estadual.

Diante do projeto de desmonte conduzido pelo governo Tarcísio de Freitas, defender as universidades públicas paulistas é defender o futuro científico, tecnológico, democrático e soberano do Brasil. Toda solidariedade aos estudantes, docentes e servidores em luta.

Lutar por educação pública, permanência estudantil e valorização das universidades não é crime!

Comissão Política do PCdoB Campinas/SP

Campinas, 14 de maio de 2026.

Compartilhe este post:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts relacionados

Abrir bate-papo
Olá 👋
Como podemos ajudar?